13/09/2015
Sobre escovas de dentes e partidas…

Muitas coisas na vida são como símbolos da nossa mais profunda intimidade. A escova de dentes, para mim, ocupa esse lugar de forma muito singular. É a única coisa que não exito encontrar logo que acordo, suporta ser esfregada, retorcida e mantém firme seu ofício no roll da higiene bucal. No final da sua jornada, tenho certeza que ela sabe muito sobre mim.

E tem um quê a mais que a escova de dentes faz: ela marca a presença de alguém em uma casa. Seu lugar na gaveta do banheiro, sobre a pia, é o indicador que você habita aquele lugar.

Apesar de ser tão íntima, chega um dia em que suas cerdas, seu limpador de bochechas e todas as inovações odontológicas já não servem mais. O prazo expirou! É preciso jogar fora e ceder espaço para outra com cerdas novas e macias.

Pois é, o ato de jogar fora uma escova de dentes, tão corriqueiro e comum, sobre o qual nem pensava tomou outra proporção no dia 11/08/2015.

Neste dia uma sequencia de atos finalísticos se sucederam: juntar as coisas, fechar a mala, despedir-se, olhar ao redor e por último, último mesmo, lá se foi a escova. Não adiantava voltar atrás, seu descarte representava o último ato da despedida. Restava, por fim, fechar a porta e seguir para o aeroporto. Aquele ato dizia para mim: vai, siga adiante!

E como a vida segue, no momento que passei a olhar para uma nova pia e ali ver minha nova escova, algo dentro de mim experimentava fincar os pés em uma nova realidade indicando que uma nova jornada começava...


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