09/10/2014
Esse governo é bom para você?

Recentemente a pergunta que intitula esse texto me foi feita e para respondê-la respirei 2 segundos para dizer que não avalio um governo a partir da minha unidade como indivíduo.

Busco avaliar um governo considerando que nasci e vivo em um país desigual que perpetua essa desigualdade há muito tempo e que o bom para mim é quando diminui os miseráveis, quando as pessoas têm o que comer, quando acessam a educação, saúde, serviços. Esse é meu ponto de partida, pois se melhora para a maioria, melhora para mim. Eu faço parte desse conjunto de pessoas designadas brasileiras e não tenho (e nem quero) um Brasil (ou a Zonal Sul do Rio) só para mim.

Já de antemão quero explicitar que os parágrafos abaixo não têm qualquer pretensão de convencer o leitor a votar em A ou B ou C, nem escrevo como partidária da esquerda ou da direita.

Escrevo porque ando bastante incomodada com duas posturas nos diálogos (se é que posso dizer que andamos dialogando por aí).

Uma tem a ver com o uso da religião no campo político e eleitoral.

Alôô, estamos em um país laico, sabiam? Certas coisas deveriam ser proibidas por questão de princípios...

A outra é com a violência com que as pessoas vêm se tratando a partir do momento em que declaram em quem vão votar.

Pronto, basta fazer isso para ser chamado ou de beneficiário de algum programa governamental (como recentemente vi um grande amigo ser agredido verbalmente e até chamado de idiota) ou de direitista, elitista cúmplice do mal.

“Pera” lá minha gente! Fazer isso só vai fazer com que esvaziemos o debate e a capacidade reflexiva da nossa possível conversa. E ainda corremos o risco de não denunciar e criticar os discursos homofóbicos e preconceituosos. Pior ainda, entubá-los!

Vamos tentar conversar a partir de dados, números, de uma leitura aberta, crítica e implicada, pois, do contrário, podemos eleger ícones a lá Sassá Mutema na esperança de mudar um cenário que não se transforma em 4 anos do governo.

Não se esqueçam, um determinado ponto de vista é construído a partir da vista que eu tenho de determinado ponto. Então, comecemos a nos interrogar sobre as lentes e o posicionamento que direcionam o nosso olhar.

Queremos a mudança, mas sabemos como podemos nos posicionar para fazê-la em nossos discursos, em nossas atitudes cotidianas, em nosso trabalho e como agentes nesse mundo?

Pois é, ferida tocada é ferida doída!

A cada 4 anos compramos essas posições de um dedo de profundidade e esquecemos dos nossos papéis de protagonista para fazer e de antagonista para cobrar. Gostamos mesmo é de ficar como coadjuvante reclamante apontador alheio.

“Nada dever ser impossível de mudar”, a começar por você!


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Infantile Hospitalisation and Chronic Disease
This chapter attempts to characterise the process of chronic disease and infant hospitalisation, the relationship between healthcare professionals, children and their families, in addition to considering the implications which chronic disease has throughout the life of the child and their family. The chapter also considers the changes in the field of pediatrics, its gaps and shortcomings and its position in the biomedical field, defining technical and scientific principles.